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Localização e
Anatomia do Recurso
Este ambiente
espetacular para a pesca de trutas na Província de Neuquén, está
localizado a Oste do lago Filo Hua Hum. Chega-se pela Ruta Nacional 237,
até Bariloche, entroncamento para o norte na altura da Confluência
Traful pela Ruta Prov. 64 (Paso Del Córdoba), ou pela Ruta Nac. 234
(Siete Lagos) seguindo para o sudeste pela Ruta Prov. 64 vindo de San
Martin de los Andes logo depois de passar a ponte sobre o rio Hermoso,
margeando o lago e rio Maliquina.
Nascendo no lago Nuevo,
um pequeno espelho d’água de aprox. 1200 metros de comprimento, que se
encontraa oeste do lago Falkner, ligado a este último por um curto braço
navegável. Desemboca na margem oeste do lago Filo Hua Hum e tem uma
extensão de quase 11 km.
A uns 1.000 metros (ou
talvés um pouco mais) de sua desembocadura sobre o lago Filo Hua Hum,
divide-se em dois braços: o braço principal (para o norte), que mantem
características similares às encontradas na totalidade do curso e um braço
secundário (ao sul) que nasce em um pequeno delta com inúmeros tributários,
formando um curso acanalado, manso e serpenteante, de costas abruptas e
profundas (muito semelhante a um spring creek americano ou a um chalk
stream inglês). Este braço é chamado pela maioria dos pescadores de
“Quieto”, sendo também referido como “Arroyón”, “Primer
Brazo”, “Spring Creek” ou “Chalk Stream”, etc... Más na
realidade seu nome é arroio Partenón. Este nome me foi revelado por um
Guardaparque muito meu amigo, que desempenhou suas tarefas nesta Seccional
do Parque Nacional Lanín durante alguns anos. Os autores desta revelação
foram os moradores da Estância Três Lagos, que se encontra sobre a
margem oeste do lago.
O certo é que o
“Quieto”não é um curso d’água em si mesmo, mas um braço do rio
com características muito diferentes das do curso principal, dando-se
outro nome a ele por esta razão.
Voltando ao rio,
passaremos a descreve-lo em todo seu percurso. Seu nascimento no lago
“Nuevo” é um excelente local de pesca. O rio nasce com uma largura de
40 metros aproximadamente, correndo mansamente e com boa profundidade. Com
água alta é difícil o acesso até a boca, pois existem grandes juncais.
Mas quem der toda a volta e colocar uma mosca por ali, pegará boas
trutas. Outra alternativa em dias calmos é observar atentamente a franja,
que vai da costa até os
juncais, onde muitos peixes de bom tamanho procuram por comida, em águas
de 30 a 40 cm de profundidade, pescando-se sem entrar na água. Logo de
seu nascimento, o rio pode ser pescado por uns 400 metros, o que torna-se
impossível mais adiante devido às paredes abruptas e a densa vegetação
costeira. Encontramos, porém, ao longo da trilha que costeia a vegetação,
alguns pontos de acesso ao rio, difíceis mas não impossíveis. Quem
buscar chegar por eles até o rio e colocar uma mosca, terá a
oportunidade de pescar em locais quase virgens e a fisgada – creiam-me
– é certa.
Águas abaixo, já na
altura do lugar chamado “La Angostura”, a uns 6 ou 7 km de sua
desembocaduro sobre o Lago Filo Hua Hum, o rio volta ser acessível. Este
local está perfeitamente marcado pela encosta norte de Los Cerrillos que
chega praticamente até a margem do rio, produzindo uma redução notório
na largura do vale pelo qual
corre. Ali existe uma grande pedra, de cima da qual pode-se observar
muitas trutas, não somente as do poção bem no pé da rocha, como também
nas seções do rio acima e abaixo da mesma. Dali também podemos chegar
ao ro e caminhar-lo por um bom trecho rio acima (ver foto com vista desde
este ponto).
A
uns 200 metros rio abaixo, existe uma corredeira seguida por uma curva à
direita e um flat. Estes três pontos são excelentes pesqueiros.
Continuando rio abaixo,
o curso se divide em dois braços vadeáveis, que apresentam diversos obstáculos
(troncos, raízes, pedrs, barrancos) que servem de refúgio a muitos
peixes. Trata-se de um excelente local para a prática da pesca
“fina”, com o desafio extra da dificuldade da briga com o peixe.
Logo chegamos ao “Vado
de las Escopetas”. Vindo desde o lago Filo Hua Hum (com permissão dos
proprietários da Estância) é possível chegar até aqui de veículo,
preferentemente caminhonetes, jeep ou 4x4.
A partir desde ponto até
a sua desembocadura, o rio tem características muito similares, mas é
chamativo que nos últimos 1500 metros, as curvas e contracurvas
permanentes, dão lugar a poções muito profundos, corredeiras velozes
bem marcadas, barrancos altos e pedreiras.
A desembocadura sobre o
Lago é vadeável mesmo na abertura e se abre em três braços bem
marcados. O erro mais comum que os pescadores cometem nesta zona é
caminhar por ela até o “veril” do lago (n.t. veril = degrau onde o
lago torna-se profundo abruptamente) para lançar as suas moscas nas
profundezas, deixando as trutas às suas costas.
Hatchs e imitações
de insetos
Mesmo não tendo me
dedicado a estudar com profundidade os “hatchs” (n.t. eclosões de
insetos aquáticos de grande importância para o pescador de Fly) deste
ambiente, posso fazer uma descrição breve baseada em minhas observações.
Na época da abertura,
é normal observar eclosões de Caddis de cor creme (anzóis # 14) no
“Quieto”. Estas Caddis estão presentes em grandes eclosões que, a
medida que avança a temporada, se dão cada vez mais cedo. Em novembro
ocorrem lá pelas 11:00 horas da manhã, ao passo que as últimas, podemos
observar às 6:00 horas. Não obstante, pude comprovar que com qualquer
imitação de Caddis adulto na coloração creme e no tamanho correto,
pesca-se muito bem a qualquer hora, inclusive durante o entardecer –
hora em que observamos poucas eclosões -. As melhores pescarias seguindo
esta eclosão ocorreram no “Quieto”, onde as Caddis parecem ser mais
abundantes que no rio principal.
Também para a abertura
é freqüente que na metade da manhã ocorra um hatch de Mayflies #18 de
coloração marrom escura com asas cinzas ( as duns, jamais me detive em
observar os imagos) e as trutas parecem preferir-los.
No mes de janeiro,
muitos pescadores acreditam observar eclosões de Caddis. Colocam uma Elk
Hair Caddis de tamnho e coloração aproximados (cinza claro em anzóis
#14 ou #16, dependendo do tipo de imitação), tem fisgadas e ficam
felizes achando e acertaram com a Caddis correta. Na realidade não são
Caddis, mas pequenas Stoneflies pondo ovos. Também
observei a incidência do vento que desprende estes Plecópteros
dos arbustos das margens, que ao caírem na água, disparam subidas
coletivas nas trutas em busca de alimentação. Embora não esteja muito
seguro sobre qual das duas coisas é mais importante, mas em ambas situações
pude pescar bem.
Sobretudo na
desembocadura do rio Filo Hua Hum Oeste, a festa das arco-íris é um
show. Com Rubén Martín pudemos observar as ninfas desta espécie e Rubén
desenvolveu uma excelente imitação para elas. Esta ninfa pesca muito bem
durante toda temporada e a identificamos – já como aficionados totais
– como Leuctra andina (?). Algum entomólogo poderia nos
esclarecer ao respeito.
Já nos meses de calor,
é excelente a pesca com ninfas de Dragonflies #8 cor tabaco, sobretudo no
“Quieto”. A técnica que mais utilizo é com linha tipo floating e uma
recuperação lenta sobre as abundantes camas de vegetação aquática que
o arroio possui. São melhores as moscas impressionistas, mas com
movimento, do que as realistas.
Também nestes meses, a
pesca com formigas pretas em anzol #22, brinda o pescador com muitas
satisfações. Outros terrestres com os Hoppers (gafanhoto) em cor verde
oliva com abdômen amarelo, em tamanhos #6 e #8, asseguram uma fisgada
perto das costas dos barrancos. No “Quieto”, é bom golpear bem a
superfície da água com estas imitações para chamar a atenção das
trutas. Tirei de seu sossego trutas marrons de até 2 kg, que não
aceitavam particamente nenhuma outra mosca pescando assim.
Para o final da
temporada ocorre a volta das Caddis, desta vez em versão pardo-escura e
em anzol #14 (observe-se que não estou dando a medida dos insetos em mm e
sim pelo tamanho de anzol correspondente para facilitar a tarefa do
pescador que deseje imitar-los).
As marrons na
abertura
Na minha opinião, o
maior atrativo que possui o rio FHHO, são as trutas marrons durante a
abertura da temporada. É normal capturar exemplares de 2kg em várias
oportunidades durante uma manhã.
Sem dúvida que isto
acontece em aberturas onde o nível da água é normal, ou ao menos não
muito baixo, como na temporada 98/99.
Quando o nível está adequado, as marrons não migram
para o lago e permanecem nos profundos poços do rio esperando que a
correnteza do rio lhes traga o alimento de que necessitam.
As técnicas são as
convencionais com Streamer, sendo as moscas por mim recomendadas: Rabbit
Oliva/Laranja (óbvio), Matuka Grizzly e Wooly Bugger Black sem brilhos ou
materiais sintéticos reluzentes, todas em anzóis #6; a experiência me
diz que não devo mudar para outros modelos, porque os resultados são
espetacularmente diferentes.
Alguns Sculpins com cabeça
tipo Muddler também me trouxeram bons resultados nestes tamanhos.
Eu pesco com linha tipo
floating e streamer, usando as vezes alguma ultra fast sinking para os poços
mais profundos se não posso levantar-las. Normalmente utilizo minha velha
Fenwick 9’ #5.
Durante a abertura da
temporada 97/98, tive oportunidade de pescar uma truta de 4-5 kg, estava
com Ale Tapia e com o Nico Cafaro que não me deixam mentir. A truta
ganhou a batalha e eu, uma consternação que quase me queimou o chapéu.
Tenho muito mais para
escrever sobre o FHHO... mas seria muito extenso e também impediria de os
visitantes terem a agradável sensação de descobrirem por sua própria
conta. Piadas:
dezenas. Trutas: milhares. Aprendizado:
infinito.
Para finalizar, gostaria
que saibam que o Filo Hua Hum Oeste é o meu rio preferido. Para mim não
tem igual. Se não o conhecem, visitem-no e aprendam a amar-lo com eu o
amo.
Mapa
da região
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