Flyfishing-Argentina.com                                                                                 Ríos y lagos 
Río Meliquina (portugués) 

Principal  Ríos y lagos  Moscas   Galería   Rincón cultural   Entomología   Técnicas   Ecología   Libros   Consejos  Notas

 





 

Versión en Español     versión en español  


De acordo com a experiência particular de muitos pescadores esportivos, a qualidade da pesca está diminuindo progressivamente no rio Meliquina.

Particularmente notável seria a deterioração da qualidade da pesca durante os meses de janeiro e fevereiro. O Clube de Pesca NorySur encarregou-se de um estudo do rio para conhecer as razões deste fenômeno, sendo o mesmo realizado por J. Urbanski, A. Espinós e A. Del Valle.

Para a realização do trabalho mencionado foram planejadas e realizadas campanhas de extração de dados de 5 dias de duração cada uma, em três períodos  de amostragem. A primeira etapa foi levada a cabo no mês de maio de 1998 e a segunda no mês de dezembro do mesmo ano. Río MeliquinaO resultado foi apresentado em abril de 1999. Em seguida serão apresentadas as conclusões, mas antes disso gostaria  que conhecessem alguns dados sobre o rio Meliquina, os quais figuram no informe:

Encontra-se localizado na Província de Neuquén sob jurisdição do Parque Nacional Lanín. 

Sua Margem esquerda encontra-se sob jurisdição da Província de Neuquén.

Nasce no lago Meliquina e depois de percorrer aproximadamente 14 km junta-se ao rio Filo Hua Hum, formando o rio Caleufú.

As características físicas do rio Meliquina coincidem com as esperadas para que um ambiente lótico seja um excelente pesqueiro de salmonídeos. Um habitat ótimo para as trutas, onde temos a existência de águas frias e cristalinas, uma proporção entre corredeiras (águas rápidas e relativamente pouco profundas) – poções (águas lenteas e profundas), corredeiras com substratos rochosos desprovidos de areia, ambientes ribeirinhos povoados com vegetação abundante e variados refúgios e finalmente costas e regimes de vazão relativamente estáveis. Na atualidade o rio Meliquina cumpre satisfatoriamente com grande parte destes requisitos.

Assim, temos um ambiente apto para abrigar uma excelente população de peixes residentes, Além disto, recebe trutas migratórias provenientes do lago e do rio situados águas abaixo, para sua reprodução e também é uma via de passagem de migrantes que se movem entre um e outro ambiente.

Em seu percurso relativamente curto, o rio flui por ambientes cuja fisionomia são de estepes e de bosques. Na sua nascente, em um setor de 3km aproximadamente do leito superior, está localizado um projeto de urbanização e loteamento. O resto das margens são de propriedade das estâncias privadas aí existentes, dedicadas principalmente ao reflorestamento. O primeiro setor constitui um risco potencial para o rio e a atividade da pesca esportiva, sendo os principais fatores deteriorantes a serem controlados: os efluentes domiciliares, os resíduos sólidos, a pesca predatória, o corte da mata ciliar e os distúrbios de variadas causas aos peixes e aos pescadores. Já se pode observar os primeiros sinais de impacto negativo da ação humana descontrolada, como sacolas de polietileno que começam a aparecer nas margens do rio e no ambiente que o circunda.
O acesso ao rio, de maneira geral, não apresenta dificuldades desde a Ruta Provincial No 63 para os pescadores e demais visitantes. Alguns setores da Ruta se encontram perto do rio e o acesso é muito fácil.

O RIO MELIQUINA: Conclusões e Recomendações

 Por Javier Urbanski, Ambrosio Espinós e Alejandro del Valle

O rio tem todo o potencial para ser um pesqueiro de alta qualidade em número e em tamanho de peixes, mas existem alguns aspectos do crescimento destes peixes que estariam indicando a presença de algum problema. O ambiente físico é muito adequado e ainda há tempo para prevenir e evitar qualquer alteração. Há competição trófica entre as trutas arco-íris e marrons, mas a quantidade de alimento disponível e o consumo estão muito adequados. Existem zonas sumamente aptas para a reprodução, que é muito exitosa para as duas espécies. A truta de arroio não foi encontrada em número suficiente para uma avaliação. A sobrevivência é adequada, considerando que existe uma grande migração de juvenis para outros ambientes. O estado dos peixes é muito bom nas classes de idades menores, mas diminui nos tamanhos maiores. O crescimento das trutas arco-íris é bom até o terceiro ano, reduzindo-se depois. Há peixes de tamanhos maiores no rio, mostrando o potencial do mesmo. A pesca é muito boa em número de peixes por hora e por pescador, mas principalmente de peixes pequenos.

Para obter um equilíbrio entre o número e o tamanho dos peixes pescáveis, buscando um aumento no crescimento, recomendamos as ações indicadas a seguir:

1 – PREVENÇÃO E CONTROLE

Existe uma regra muito conhecida e incontestável: qualquer programa de manejo das populações de salmonídeos para o melhoramento da qualidade da pesca esportiva falhará se as regulamentações não forem cumpridas.

Deve ter-se presente que, com as taxas de captura tão elevadas como as obtidas na segunda campanha de amostragem, 100 pescadores ilegais que pesquem somente 10 horas cada um, podem matar potencialmente a enorme cifra de 8.440 a 9.240 trutas no rio Meliquina. Obviamente estes peixes não estarão mais no ambiente para recreação dos  pescadores legalizados, embora o regulamento estabeleça a maior restrição possível e se desenvolvam estudos de todo tipo.

Existe uma forte evidência de que a pesca ilegal é muito abundante neste rio e que o controle é inadequado. Durante os poucos dias que duraram as amostragens, se detectaram várias infrações ao regulamento, o que faz supor que o somatório desta atividade durante todo o ano, necessariamente tem que ser enorme.

Devemos ter em conta que, por exemplo, a truta arco-íris necessita neste ambiente 4 anos para alcançar os 35cm de comprimento e que não é uma espécie muito longeva (é muito raro encontrar indivíduos de 6-7 anos nos rios) para compreendermos o valor que tem os peixes maiores neste ambiente. Para poder alcançar uma estrutura de idades mais adequadas é necessário proteger aos peixes médios e grandes, já que assim, a produção de indivíduos jovens estaria garantida neste ambiente.

Se recomenda enfaticamente a implementação de um sistema de controle constante e eficiente, propondo que pelo menos, conste do seguinte:

A)          dois guardafaunas em regime de turno integral durante todo o ano e mais um terceiro que funcione de auxílio, livre e para as licenças. Estes guardafaunas devem ter capacitação e treinamento adequados, salários apropriados suportados por fundos privados. Devem contar com autoridade delegada para atuar dentro do Parque Nacional como na margem provincial. Alem de suas funções específicas, devem atuar na prevenção das alterações do habitat das trutas, dos incêndios florestais e também na informação e educação do público em geral. Devem contar com equipamento adequado, em especial veículos e um sistema de comunicação por rádio apropriado.

B) duas guaritas de controle localizadas na estação E1 (Boca) e E2 (Zona da “Capilla”), equipadas adequadamente e localizadas preferencialmente em terras cedidas por particulares

O ambiente aquático se encontra em boas condições para o desenvolvimento de populações auto-sustentáveis e vigorosas. Deve-se tratar por todos os meios de mantê-lo inalterado para que todas as outras ações possam ter efeitos positivos. Sem dúvida, durante as amostragens, foram observados sinais de alteração, como obras e movimentos no leito do rio, presentes na estação E1, para a retirada de água em um local muito importante para a reprodução das trutas.

Além do sistema de controle proposto, se recomenda propor e estabelecer, através das autoridades que correspondam, um plano de proteção ambiental para ser aplicado especialmente na zona de urbanização. Este plano deve contar com pautas e diretivas claras e contemplar multas significativas. O monitoramento que estabeleça o plano deve ser realizado pelos guardafaunas propostos.

2 – REGULAMENTO DE PESCA

Apesar de não haver elementos que indiquem o contrário, se recomenda manter a restrição de capturas e a liberação de todos os peixes capturados. É uma ferramenta muito útil para proteger todas as classes de idades e ajudará, se as outras ações alcancem seus objetivos, a alcançar uma estrutura de classes de idades adequada e melhorar o crescimento.

À luz dos dados atuais, se enfatiza que não deverá ser utilizado o sistema de limites mínimos, ou seja, permitir matar algum peixe grande acima do tamanho previamente estabelecido. Eventualmente, caso permaneça a tendência observada, poderia ser utilizado, para melhorar a situação, os limites máximos, ou seja, permitir que se mate algum peixe abaixo de determinado tamanho.

3 – EDUCAÇÃO

Considera-se a educação como formada por muitos componentes, dentro dos quais se inclui a educação no seu sentido estrito e a difusão e transferência de conhecimento.

A educação, conjuntamente com a investigação aplicada, a regulamentação e o controle, são as bases do manejo dos recursos vivos de maneira geral e da pesca esportiva em particular.

Recomenda-se estabelecer programas educativos escolares e população local e para os visitantes, incluindo palestras para a conscientização sobre a importância da proteção dos recursos naturais, palestras de difusão deste trabalho, folhetos explicativos e projetos desenvolvidos junto com estudantes e coordenados por seus professores.

4 – INVESTIGAÇÃO APLICADA

Para o monitoramento dos resultados da implementação das ações propostas e para realizar os ajustes que eventualmente forem necessários, recomenda-se a implementação de um plano de monitoramento de populações de peixes e da atividade de pesca esportiva no rio Meliquina.

O plano mencionado deveria conter no mínimo os seguintes componentes:

A) Monitoramento das populações de peixes. A partir do segundo ano de iniciadas as ações, deveria-se monitorar o programa através da determinação dos novos parâmetros populacionais alcançados, indicadores da evolução dos mesmos (crescimento, abundância, distribuição de tamanhos, estrutura etária, etc...) para que possam ser realizados os ajustes necessários e difundir eventuais benefícios do programa.

B)  Monitoramento da atividade de pesca. Para a avaliação da qualidade do pesqueiro e ajudar no monitoramento geral do plano. Deveria incluir, pelo menos, a análise e interpretação dos registros de capturas existentes, a implementação de um sistema de auto-registro por parte dos pescadores que seja útil para quantificar as taxas de pesca, a realização de entrevistas diretas no rio por parte dos guardafaunas (útil também para monitorar a sua própria atividade) e o estabelecimento de uma base de dados.

C) Estudo das populações de peixes do lago Meliquina. Para melhorar a qualidade de pesca no mesmo e, paralelamente, a dos peixes migratórios no rio, a atualização do regulamento no lago (o qual parece “a priori” inadequado para melhorar a qualidade da pesca) e o estudo da possibilidade de ampliar as temporadas de pesca no lago e/ou rio. Deveriam ser investigados os principais parâmetros populacionais e ambientais do lago e seus afluentes.

5 – POVOAMENTO DE PEIXES 

Recomenda-se enfaticamente não introduzir peixes no rio Meliquina nem permitir que outros o façam, exceto as eventuais introduções educativas de poucos indivíduos e que auxiliam no desenvolvimento da conscientização das crianças.

Para esclarecer o tema e devido a sua importância, repetimos alguns conceitos previamente abordados na seção de Discussão e Resultados.

A idade e o crescimento dos peixes refletem, com certos limites, o efeito combinado e fatores ecológicos, tais como a abundância e qualidade do alimento, o estado reprodutivo, as características físicas e químicas do habitat e a presença e abundância de competidores (Siegler e Siegler, 1990). Também são importantes as características próprias de cada espécie (McAfee, 1966). Também a pesca e os povoamentos tem grande influência sobre a idade e os tamanhos alcançáveis em um ambiente determinado.

Se em qualquer ambiente a reprodução natural é adequada e o alimento se encontra disponível em quantidade suficiente, a pesca persistente de trutas maiores poderá modificar a estrutura de idades, fazendo com que os peixes mais velhos e maiores sejam cada vez mais escassos. Com uma alta pressão de pesca, pode chegar a afetar seriamente as classes reprodutivas, produzindo-se uma seleção artificial que favoreça aos peixes precoces que amadurecem sexualmente com idades 2+ e até 1+. Se as classes reprodutoras não desaparecem, os novos indivíduos juvenis encontram cada vez mais possibilidades de sobreviver e o resultado será um ambiente com grande quantidade de peixes residentes de tamanho pequeno que competem fortemente entre si. Se há uma população de peixes migratórios que utiliza este ambiente para sua reprodução, esta irá progressivamente ganhando terreno sobre a população residente, agravando a sua situação.

Uma situação parecida se alcança se for feita uma introdução de peixes nos ambientes onde a reprodução natural é adequada, mesmo que tenham a mesma origem dos residentes. A introdução de indivíduos em uma população auto-sustentada produz um aumento da competição por espaço vital e por alimento, os recursos deverão ser compartilhados e distribuídos entre um maior número de indivíduos, produzindo-se uma desorganização entre as hierarquias naturais que se estabelecem dentro de uma população. Finalmente se obtém um crescimento deprimido, com tamanhos abaixo do potencial do ambiente e da espécie, resultado diametralmente oposto ao desejado.

Nota: a publicação das conclusões e recomendações deste estudo se deve à gentileza do Sr. Juan Dumas, Presidente do Club de Pesca NorySur, que autorizou a sua apresentação.

                                                    Silvia Bergamasco
atisil@satlink.com

 
Principal  Ríos y lagos  Moscas   Galería   Rincón cultural   Entomología   Técnicas   Ecología   Libros   Consejos  Notas

© 2000 - 2001 Dralion S.A.